“Ao longo da nossa caminhada nós vamos desenvolvendo a sensibilidade de poder escutar a vontade de Deus”, diz seminarista Rafael.

A nossa paróquia acolheu no dia 31 de agosto, mais um seminarista que fará estágio pastoral esse ano em nossa comunidade. Conversamos com ele para saber um pouco mais de sua caminhada.

Rafael Guglielmelli Sepulvene (24 anos), nasceu no dia 15 de agosto de 1995 na cidade de Itajuba em Minas Gerais, no dia de São Tarcísio, Santo Antônio MCXV e também dia da Assunção de Nossa Senhora. Filho de Sidnei Aparecido Sepulvene e Margarita Dolores Gugliemelli Sepulvene (in memoriam), possui dois irmãos mais velhos, Marcelo (34 anos) e Luciano (41 anos).

Estudante do Segundo ano de Filosofia, Rafael nos contou quando entrou para o seminário:

“Fiz meu primeiro retiro de experiência vocacional no dia 28/08/2010 em São Paulo numa comunidade religiosa chamada Aliança de Misericórdia e desde então eu caminhei com a Aliança de Misericórdia em torno de cinco anos, onde eu fiz um ano vocacional com eles, a primeira turma de vocacional com os religiosos, mas no final do ano eu pedi pra não entrar e aí portanto eu fiz dois anos de vocacional com a diocese de Santo André entrando no término do segundo ano, fiz um ano de Propedêutico, fiz meu primeiro ano de pastoral da filosofia no Santuário Nossa Senhora Aparecida na Paulicéia e neste ano desde o início do ano até semana passada na Paróquia Cristo Operário em Santo André na Região Pastoral Santo André Leste.”

Questionado de quando surgiu o seu chamado vocacional para entrar no seminário, se foi pela sua experiência no retiro realizado ou durante a caminhada na igreja já sentia esse chamado, ele nos explica:

“Então, eu costumo brincar que não é sonhador que nós vamos dormir e acordamos vocacionados, o processo vocacional ele é literalmente um processo contínuo, e mesmo quando nós entramos no seminário continua o processo, na verdade intensifica esse processo vocacional, mas não foi quando eu fiz o meu retiro seria muito precipitado, seria muito audacioso de minha parte dizer que fiz um retiro e quero ser padre.

Claro que a gente sente o chamado, a gente sente aquele fogo que começa arder depois do retiro que a gente quer evangelizar até os pássaros, os postes e as luzes da rua, as máquinas os carros, a gente quer sempre evangelizar nesse sentido, mas a gente sabe que a intensidade ela vai diminuindo então nós vamos alimentando ou nós vamos apagando este fogo, é uma escolha nossa.

Então, conforme eu fui apagando eu fui colocando lenha, jogando água, fazendo fumaça e até que fui descobrindo a Pastoral dos Coroinhas e Cerimoniários também, foi onde foi meu primeiro passo aproximando do desejo de poder servir. O principal motivo da vocação é ser padre, mas o maior alimento do meu interior em todo esse processo foi o servir, poder ajudar.”

O seminarista cuja a paróquia de origem é a Santo Antônio em São Caetano do sul, nos conta se teve incentivo da família, ou a vontade de participar da vida da Igreja partiu dele:

“Bom! só tenho meu pai agora, perdi minha mãe faz oito meses, só eu frequento de toda família. Claro que fiz a Primeira Comunhão, cheguei fazer catequese de crisma e não vingou, não tive a experiência verdadeira, mas quando eu realmente terminei a catequese foi depois do retiro, já estava encaminhando, eu larguei a catequese no mês de outubro e a crisma era em novembro, e eu tive que começar do zero por motivos pessoais: era longe, mudei de casa. Enfim, meus pais essa época não frequentavam então eu ia sozinho male-male meu pai me deixava na igreja quando eu pedia ou uma carona do meu irmão.

Antes da minha entrada no seminário o meu irmão que já estava num relacionamento de 8 anos, casou-se apenas no civil, e com dois anos de casado quando eu estava prestes a entrar no seminário ele pediu para casar no religioso, por livre espontânea vontade. O Sacramento culminou nele a importância e se casou e desde então eles frequentam, tenho duas sobrinhas uma de 10 anos e outra de 3 anos, a mais velha inclusive é coroinha. Então ativamente sou eu que frequento, mas agora meu irmão e minha cunhada aos pouquinhos vão indo, hoje (01/09) inclusive estão em Aparecida.”

Vindo da Paróquia Cristo Operário em Santo André, onde estava realizando seu estágio pastoral pedimos para que ele falasse um pouco dos motivos de sua vinda para a Imaculada Conceição:

“Na verdade, os desígnios de Deus a gente nunca compreende, ao longo da nossa caminhada nós vamos desenvolvendo a sensibilidade de poder escutar a vontade de Deus.

Tive um problema que desenvolvi esse ano, não tenho problema em falar todos sabem, alérgico, eu já tinha tendências alérgicas e devido a Epitélios de animais que na verdade não é o pelo em si, é a uma proteína que os animais soltam na língua, não é a tal não sei o que plasmose lá! Não chega a ser, mas vem da mesma cadeia de bactéria. De fato eu desenvolvi essa alergia, e a formação do seminário o Bispo Diocesano Dom Pedro achou por bem eu terminar pelo menos esse ano me afastar um pouco do contato com o Epitélios de animais, porque o Padre da outra paróquia tinha alguns animais em casa e por mais que seja só de final de semana minha vida ativa pastoralmente, o contato em si agredia e afetava um pouquinho, e pra evitar uma contínua troca de células dos nossos hormônios sei lá. Então foi decidido por bem.”

Designado a auxiliar a Pastoral da Acolhida em nossa paróquia questionamos se ele possui alguma afinidade com outra pastoral de acordo com sua vivência na igreja.

“Eu que sou muito agitado, eu acho meio contraditório dizer uma pastoral só, porque eu quero ajudar todas, a Acolhida pra mim realmente foi uma surpresa, mas uso um pouquinho minha fala anterior o meu jeito agitado de ser. Eu tenho umas qualidades da minha personalidade que as duas últimas paróquias que eu passei disseram, não vou dizer para não influenciar porque quem sabe vocês pensam que seja um pouco diferente e vocês falam: Olha você não tem essa qualidade! e eles sempre me disseram não que eles me enganaram, mas vocês vão perceber e ai no final do ano quem sabe eu fale, vou deixar no suspense para vocês também terem uma visão minha é positivo, mas não tem uma pastoral que eu quero ajudar, eu quero somar junto com o André, com o Padre e o povo, eu sou muito do povo, de acompanhar, de estar junto, de conversar de viver os momentos bons, de ouvir partilha, de guardar no coração o que é bom e com certeza sempre visando o crescimento da paróquia e da vida pastoral.”

Tem algo que você gostaria de falar que não perguntamos? Algo que está no seu coração?

“Acho que eu resumiria, pelo menos da paróquia de onde eu vim, muita gente falando, poxa deixa saudades! Então dá um ar meio de tristeza, mas como eu disse pra eles eu digo na nova paróquia. Se eu fosse resumir tudo em uma palavra eu resumiria em felicidade, por que felicidade? Por que foi um alívio sair da alergia? Não! foi difícil e é difícil desfazer certos laços, claro que algumas pessoas você leva no coração então você leva o contato e visita, mas a felicidade eu digo porque assim como o Senhor nos pediu, ele me enviou. Então feliz por estar podendo servir, acredito e confio, ainda não descobri os desígnios de Deus para mim nesses próximos pelo menos 3 meses, mas acredito que Ele tenha algum objetivo mesmo que for pra ajudar alguém, pra puxar a orelha de uma pessoa ou se for pra colocar de volta no caminho.”

Gravamos um vídeo com uma saudação do seminarista à toda comunidade.