“Se a gente quer ser padre aqui da diocese, precisa saber lidar com todas realidades”, diz seminarista André.

A nossa paróquia acolheu no dia 10 de fevereiro, um seminarista que fará estágio pastoral esse ano em nossa comunidade. Conversamos com ele para saber um pouco mais de sua caminhada.

André Lucas Chaves (25 anos), nasceu no dia 15 de março de 1993 na cidade de Santo André, e no alto dos seus 1,95 de altura é quase impossível passar despercebido nas celebrações em que está servindo.

Qual nome dos seus pais?

Minha mãe se chama Maria Inês e meu pai Silvio.

Você tem irmãos?

Tenho um irmão mais velho, Eduardo.

Qual a sua paróquia de origem?

Minha paróquia de origem é a Paróquia São José Operário, em Mauá. Eu fui em Santo André só para nascer, depois caí na vida e fui pra Mauá. (brinca)

Como era sua relação com a igreja em sua infância?

Eu lembro que minha mãe sempre me levava em grupo de oração na Paróquia São Pedro em Mauá, na época não sabíamos que tinha uma paróquia que era mais perto de casa, que era a São José Operário. Eu tinha 5 anos e eu não tinha muita consciência do que eu tava participando, eu ia porque minha mãe me levava mesmo, lembro de ter entrado na catequese e isso sim eu lembro que eu gostava bastante, e aí já era na minha paróquia de origem, os encontros eram no sábado de manhã e eu sempre voltava pra casa falando pra minha mãe tudo o que tinha acontecido lá. Só que quando eu fiz a primeira comunhão eu sumi da igreja por uns dois anos mais ou menos, minha mãe sempre me convidava pra participar e tal, mas eu acho que era preguiça mesmo, devia ter uns 10/11 anos e não queria ir, a missa era de sábado a noite e eu não queria ir por preguiça imagina no domingo de manhã.

Então fiquei um tempo afastado, e como eu falei eu tenho o meu irmão mais velho e ele era um pouco mais ativo, Não! Um pouco não, bem mais né?! Eu não participava não tinha atividade nenhuma, ele entrou pra pastoral dos coroinhas e apesar da gente brigar bastante até hoje, ele sempre foi como um espelho pra mim. Exemplo: Ele aprendeu a tocar violão, eu quis aprender também! Não sei até hoje, mas pelo menos tentei! Ele entrou nos coroinhas um ano depois eu falei: Vou entrar também né? porque tem que seguir os passos. A partir da pastoral dos coroinhas, não sei se é certo falar isso, mas eu acho que eu superei aquilo que meu irmão plantou a semente em mim, cresceu alguma coisa em mim que foi aumentando e acho que eu tenho isso até hoje.

Eu era de uma paróquia grande da Paróquia São João Batista que se dividiu fazem 2 anos e lá eram 12 comunidades, então era um trabalho muito grande mas muito bacana que a gente fazia lá, e uma paróquia com 12 comunidades as vezes a gente só tinha um padre só dois e meio que “não dava conta”. Você falou pra eu falar da minha infância eu já tô falando demais! (interrompendo sua fala). Mas nossa próxima pergunta era justamente continuidade desse tema:

Como que você sentiu o chamado vocacional para entrar no seminário?

Sempre que me perguntam isso pra mim é fácil e é difícil, é fácil porque é minha história e é difícil porque não tem um momento certo assim chave que eu falei: Vou pro seminário vou ser padre! Não foi dessa forma, começou com aquela semente que foi contada com os coroinhas e aí ao longo do tempo foi crescendo.

É como eu estava falando, o trabalho que tinha na paróquia não só com os coroinhas mas também eu era da juventude missionária e tinha bastante contato com todas as comunidades, eu sentia realmente a necessidade de padres, não só pra minha paróquia pra não ser individualista, mas também pro mundo inteiro que a gente sabe que falta bastante. Então isso cultivando e para mim ser coroinha, eu fui cerimoniário também, você tá perto de tudo que tá acontecendo, do sacrifício do altar eu me sentia bastante feliz de tá fazendo o que eu estava fazendo.

Como foi contar para sua família?

Então, eu falei que eu não tinha um ponto decisivo assim, mas eu acho que quando eu tinha uns 14 anos, eu já participava tudo eu cheguei a comentar com a minha mãe: “Mãe, acho que eu quero ser padre!” Minha mãe ela é toda orgulhosa né? Eu tenho algumas histórias engraçadas de que eu chegava em algum lugar ou ia em uma festa com as amigas da minha mãe e todo mundo já me chamava de padre já, aí eu falava: “Mãe eu falei só pra você só, você já tá falando pra todo mundo!”. É engraçado e se colocar isso aí ela vai ficar doida.

Quando tá só eu e minha mãe ela desce o reio em mim, agora quando tem as amigas dela na frente ela fala: “Ah ele vai ser padre, esse menino é uma bênção!” Esse tipo de coisa que mãe faz, mas a minha mãe é muito orgulhosa, não orgulhosa do jeito ruim mas de ter criado bem eu e meu irmão de não ter dado tanto problema tem as nossas brigas mas tudo bem.
O meu pai ele é um pouco mais fechado em relação a isso, mas eu vejo que ele apoia e meu irmão ele dá muito apoio pra mim inclusive ele falou que se eu sair do seminário ele vai me matar! Então é um incentivo a mais. Em relação a família é muito bom até mesmo tios e tias eu tenho um tio que é pastor eles aceitam muito bem também, com a família não tem problema nenhum.

Como foi contar para os amigos?

Para os amigos da igreja beleza! tem uns que até duvidam, mas tudo bem. Em relação a amigos de escola, antes de entrar pro seminário eu trabalhava fazia faculdade o pessoal não acreditava porque eu era um cara meio chato, meio atentado e teve gente que se surpreendeu porque eu realmente eu uma pessoa muito chata de zoar com todo mundo, eu sou um pouco assim até hoje no seminário com os meninos que a gente convive. Mas eu acho que não teve nenhuma resposta negativa, porque dos 14 anos desde que eu falei que queria ser padre até os meus 22 anos que foi quando eu entrei no seminário eu pensei bastante, não caiu a ideia na minha cabeça e eu peguei e entrei eu pensei bastante e é uma relação que eu tenho com meus amigos de fraternidade mesmo, tem as brincadeiras tudo até pelo meu jeito de ser, surgem algumas duvidas o pessoal fala assim: “Ah mas você não pode casar!” Respondo: “Tá bom eu sei, vou fazer o que?”

Como eu falei da minha família e até pessoas de outras religiões, tem gente que fala: “Porque você não vai ser pastor?” Digo: “Porque Pastor não é Padre!” mas foi bem tranquilo com os amigos e a maioria deles é de igreja então é bom.

Você disse que entrou no seminário com 22 anos e antes disso fazia faculdade, qual era o curso?

Eu fazia análise e desenvolvimento de sistemas, tudo a ver né? Eu fiz 3 anos, eu comecei a faculdade logo que eu terminei o ensino médio e no ano seguinte 2011 eu já tava na faculdade.

O meu plano era eu terminar o ensino médio e já ir pro seminário, mas aí eu fiz vestibular da vida, eu passei e falei: “Deixa a vida a me levar” Cursei a faculdade por 3 anos e no começo eu tava até indo bem, mas depois eu não sei o que deu em mim que eu comecei a pegar um monte de DP, comecei a relaxar e tinha matéria que não entrava na minha cabeça de jeito nenhum e eu não sei até hoje o que eu tava fazendo lá! Foi aí eu falei: Não, vou deixar a faculdade um pouco. Já trabalhava também e eu sempre sou dessa de vamos ver o que vai dar, vai acontecendo as coisas a gente vai vivendo o presente e que bom que as coisas foram acontecendo e eu entrei no seminário.

Como é a entrada de um jovem no seminário? Começa no de Filosofia ou Teologia?

Depois de um ano de acompanhamento vocacional, a gente começa pelo seminário Propedêutico que fica em Santo André, e é como se fosse um ano de preparação para você chegar numa casa que já tem uma rotina intensa, no seminário propedêutico a gente não faz pastoral ainda, não temos uma paróquia fixa mas todo fim de semana a gente vai visitar uma paróquia para conhecer a realidade da diocese, em um final de semana fomos numa paróquia em Rio Grande da Serra no outro em São Caetano realidades totalmente diferentes.

Se a gente quer ser padre aqui da diocese, precisa saber lidar com todas realidades, não somente de paróquia, mas de movimentos, é necessário lidar com tudo isso e esse primeiro ano de seminário ajuda bastante nisso.
Estudamos no seminário temos algumas matérias de reforço, porque a gente faz vestibular no final do ano pra faculdade de filosofia e também algumas matérias que podem ajudar na pastoral, tínhamos aula de liturgia, história da diocese, aula de bíblia com o Pe. Pedro e pra ajudar no vestibular tínhamos aula de história, literatura e gramática. Então fazemos o ano inteiro como se fosse um “Cursinho intensivo” fazemos o vestibular para entrar na faculdade de Filosofia que são 3 anos, e mudamos para o seminário de filosofia aqui em Diadema. Eu estou no segundo ano graças a Deus.

Têm uma rotina diferente moramos no seminário a gente faz faculdade fora lá no mosteiro de São Bento durante a semana, e tem atividade pastoral no fim de semana onde já ficamos numa paróquia fixa. Depois de 3 anos o seminarista passa a fazer teologia e muda de seminário também.

Quais paróquias você já passou fazendo estágio pastoral?

Ano passado foi meio atípico eu comecei na Paróquia Santa Luzia lá em São Bernardo no Jardim Beatriz, e Pe. Flávio foi transferido de paróquia, com a transferência dele eu fiquei “vacante” porque o Pe. Foi transferido e foi não como pároco, foi como vigário então eu não pude ir junto com ele. Porque ele estava indo pra lá pra ser recebido por outro padre que era responsável. Como o Pe. Dayvid é o reitor do seminário de filosofia, ele me acolheu no Piraporinha, fiquei dois meses com ele lá, já tinha um seminarista trabalhando lá, que é o Gustavo, se o Pe. Dayvid ficasse lá provavelmente eu ficaria com ele lá como ele foi transferido pra cá eu vim na mala junto.

Como está sentindo a acolhida dos paroquianos até agora?

Tem sido muito bom! No dia seguinte a posse do Pe. Dayvid ele celebrou as 4 missas do domingo eu fui apresentado na Matriz, depois fui apresentado nas capelas também, e tem sido boa a acolhida do pessoal, comentam que fazia tempo que não passava um seminarista por aqui. O último acho que foi o Pe. Cláudio eu estava conversando com ele na ordenação semana passada ele me falou, tem sido bom.

Gravamos um vídeo com uma saudação do seminarista à toda comunidade.